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A nostalgia como ferramenta para transformar o mundo

  • Foto do escritor: Vinicius Jan
    Vinicius Jan
  • 18 de jun.
  • 2 min de leitura

Em 31 de maio de 2026 realizei a minha primeira cobertura de um evento grande: o Guardiões Geek Fest em Araraquara, um evento geek solidário.


Foi um desafio novo. E, mais do que isso, foi uma experiência que me fez olhar para o universo geek de uma forma diferente.


Eu já havia participado de eventos assim antes, mas sempre como público. Dessa vez, vendo tudo pelos bastidores, atento aos detalhes que precisavam ser registrados, comecei a perceber algo que talvez passasse despercebido em outro contexto: o quanto as histórias são capazes de unir pessoas.


Histórias fazem parte da humanidade desde que ela surgiu, podemos supor. Desde as pinturas em cavernas até os contos em fogueiras e as grandes telas de cinema. Sempre encontramos formas de narrar o mundo, imaginar outras possibilidades e nos transportar para realidades que, de alguma maneira, também falam sobre nós. E é por isso que o storytelling me fascina tanto.


Uma boa história cria pontes. Aproxima pessoas. Dá forma ao que parecia invisível.

Em uma matéria da Veja de 2025 Ilan Brenman escreveu:

“As histórias revelam o que muitas vezes não pode ser dito de outra forma. A verdade nua e crua é, por vezes, insuportável, e por isso recorremos à ficção, às histórias, para falar sobre as verdades universais.”

Durante o evento, eu vi pessoas vestindo os personagens que amam. Vi adultos cantando com emoção músicas de animes que marcaram suas vidas. Vi crianças encantadas com heróis, vilões, games, cosplays e mundos imaginários. Vi desconhecidos se reconhecendo uns nos outros por causa de uma memória, de uma referência, de uma história em comum.


Aquilo me fez entender que a nostalgia também pode ser encontro. Pode ser identidade. Pode ser pertencimento.


Quando alguém se emociona ao ouvir uma abertura de anime, ao encontrar um personagem da infância ou ao compartilhar uma referência com outra pessoa, está reafirmando algo que ajudou a construir quem ela é.


E quando muitas pessoas se unem por esse amor coletivo pelas histórias, algo bonito acontece: a ficção começa a gerar frutos reais. E um evento geek solidário é exatamente isso. Pessoas movidas por personagens, mundos imaginários e memórias afetivas se reunindo para criar algo concreto, positivo e coletivo.


No fim, talvez essa seja uma das maiores forças do storytelling: nos lembrar que imaginar outros mundos também é uma forma de transformar este aqui.

Porque antes de qualquer grande mudança existir na realidade, ela precisa nascer como uma ideia, um sonho, uma narrativa.


E se as histórias têm o poder de nos emocionar, nos unir e nos mover, então talvez a nostalgia seja mais do que uma lembrança bonita do que já vivemos.

Talvez ela também seja uma ferramenta poderosa para construir o que ainda podemos viver.



 
 
 

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